Todos os anos quando chega dezembro, o filme se repete. Pelas lojas e shoppings centers das cidades, um sujeito de larga veste vermelha e barba branca surge sentado em um trono dourado. Quem é ele? Será o velho comunista Karl Marx, será Zumbi dos Palmares ou então o lendário Tupac Amaru dos povos andinos? Ou mesmo Chaves, o chapolin colorado, será ele?
Não, não é... Esse personagem nos foi apresentado desde a infância como sendo o Papai Noel. Papai Noel? Por que papai, um homem, uma figura do sexo masculino e não uma mamãe (mulher)? 
No hemisfério norte, o “Papai Noel” tem outro nome, é Santa Klaus, o “bom” velhinho de botas de couro, que de seu trenó luxuoso vai conduzindo as renas por caminhos nevados. Lá, amparado pelo FMI, pelo Banco Mundial e pelos Grandes Conglomerados Econômicos, distribui generosamente presentes às criancinhas e pílulas antidepressivas aos adultos, para conter a onda de tristeza que devassa aqueles países e gerar a tão sonhada felicidade de plástico.
Em boa parte do continente asiático Santa Klaus segue sendo um mero desconhecido, e na África ele nunca pôs os pés, pelo menos é o que dizem as crianças de Ruanda, da Somália e da Etiópia. Há muito tempo elas esperam uma ceia com peru, farofa e Coca-Cola. A propósito, existe especulação que Santa Klaus seja o vovô-propaganda dessa marca de refrigerante: “Enjoy it”... Bebam, consumam...
Uma vez, um amigo chinês me perguntou se Jesus Cristo era o Papai Noel. Como explicar a ele? Quem é o aniversariante? Era uma boa pergunta...há muito tempo não respondida... Quem de nós canta “Parabéns a você” na ceia natalina? 
Por incrível que possa parecer, a figura amiga do “bom velhinho” que sempre habitou os nossos corações, foi banalizada pelos exageros da propaganda que, neste período, passa um rolo compressor no bom senso, transformando “Papai Noel” num mero pretexto para alavancar as vendas e os endividamentos, “ho-ho-ho” em suaves prestações de 12x, até um próximo Natal.
Nessa rede de confusões também somos convidados a fazer balanços, projetos e comemorações. O que para muitos é um período feliz, para outros têm um efeito contrário. O reencontro com a família, a lembrança de alguém que partiu ou a falta de identificação com o trabalho ou relacionamentos pode transformar esta época em um período triste e até mesmo desencadear uma depressão.
Quando a felicidade é vendida no leilão da ganância, não será num passe de mágica, com data e hora marcadas, que as pessoas irão se tornar fraternas; o máximo que conseguirão será agradar o estômago e entorpecer a cuca bebendo uns goles a mais.
Mas felizmente, surgem criatividades dessas contradições e são nelas que devemos colocar nossas esperanças. Então aproveitemos! Mudemos os hábitos. Um gesto de solidariedade não gera dívidas, um abraço não precisa de cartão de crédito e para sorte de todos nós, depois do dia 31, a Vida continua... 
Cleber Castilhos

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Comentário de Rubens Mário Mazzini Rodrigues em 25 dezembro 2010 às 17:39
Muito bom, Cleber. Quanto ao Papai Noel ser o "vovô propaganda" da Coca Cola, não é apenas especulação. De fato, uma campanha da Coca Cola em 1931, usando a figura do Papai Noel feitas pelo cartunista Haddon Sundblom, foi a grande responsável pela difusão, padronização e sucesso comercial da imagem atual do "bom velhinho", mas, a Coca Cola já vinha utilizando a imagem do Noel desde 1920 em menor escala. Entretanto, o responsável por sua roupagem vermelha foi o cartunista alemão Thomas Nast, que, em 1886 na revista Harper’s Weeklys, pintou o Papai Noel de vermelho, até então era representado com roupas de inverno, porém na cor verde, tipico de lenhadores (fonte: Wikipedia). A campanha publicitária da Coca apenas aproveitou a oportunidade criada por Nast com o Papai Noel vestido de vermelho e branco, o que foi bastante conveniente, já que estas eram exatamente as cores do rótulo do refrigerante. Tal campanha, destinada a promover o consumo de Coca-Cola no inverno (período em que as vendas da bebida eram baixas na época), fez um enorme sucesso e a nova imagem de Papai Noel ou Pai Natal espalhou-se rapidamente pelo mundo. A Coca Cola se orgulha disso, tanto que mantém uma página contando essa história no site da "The Coca Cola Company" http://bit.ly/8HJkE4.

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