Os mecanismos moleculares da resposta aos antidepressivos se sobrepõe em grande parte àqueles da neuroplasticidade. Esse paralelo pode ser visto em três níveis de neuroplasticidade: estrutural, funcional e morfológica. A plasticidade sináptica (inclusive a mudança morfológica em espinhas dendríticas e outras conexões sinápticas concomitantes) têm sido muito bem caracterizadas em muitas regiões cerebrais, especialmente no hipocampo. Muitos dos mecanismos celulares de plasticidade sináptica são induzidos pelos antidepressivos; de novo o hipocampo aparece como o mais bem caracterizado exemplo desse fato. Tem sido vistos paralelos tanto com os mecanismos de plasticidade de curto prazo – tais como a inserção de receptores AMPA na membrana celular e a modulação da CaMKII – e com aqueles de plasticidade de longo prazo – tais como a ativação de fatores de transcrição como o CREB e fatores de proteção como o BDNF.

Paralelos também têm sido encontrados no nível da morfologia dendrítica. Aumento na ramificação dendrítica pode ser induzido por ambientes enriquecidos, fatores de crescimento, e outras manipulações indutoras de neuroplasticidade. Aumento similares no comprimento e complexidade dos dendritos podem ser induzidos pelo tratamento antidepressivo. Finalmente, a neurogênese representa a mais recentemente apreciado e profundo mecanismo de neuroplasticidade, permitindo a inserção de novos neurônios no giro denteado de animais adultos. Aqui, também, a neurogênese é estimulada tanto por estímulos indutores de neuroplasticidade (tais como enriquecimento ambiental, exercício e estimulação elétrica) e por tratamento antidepressivo.


Enquanto é difícil examinar esses mecanismos em tecidos de humanos deprimidos, existem evidências do prejuízo da neuroplasticidade na depressão maior. Concomitantes moleculares de certos aspectos da plasticidade sináptica – tais como expressão e fosforilação do fator de transcrição CREB – estão reduzidos em tecidos post-mortem de sujeitos deprimidos. A depressão leva ao encurtamento e redução da complexidade das árvores dendríticas tanto no hipocampo quanto no Córtex Pré-Frontal (PFC). Ainda resta determinar se a neurogênese está reduzida em pacientes com depressão maior; mas tem sido demonstrado que a neurogênese ocorre no hipocampo de adultos.


Está bem estabelecido que o estresse contribui para o desenvolvimento da depressão maior em indivíduos suscetíveis. É provável que qualquer compreensão adicional da patofisiologia dos transtornos de humor irá atribuir um importante papel causal ao estresse psicológico e fisiológico. É impressionante que o estresse crônico também se opõe a muitas formas de neuroplasticidade. O estresse crônico reduz a plasticidade sináptica e espinhas dendríticas, reduz o comprimento e complexidade dos dendritos e prejudica a neurogênese.


A convergência desses três fenômenos – neuroplasticidade, resposta aos antidepressivos e conseqüências do estresse crônico – em uma sobreposição de mecanismos moleculares e celulares é cada vez mais evidente e sugere uma profunda conexão entre eles. Exploração adicional e melhor entendimento dessas relações parecem apontar o caminho em direção a um entendimento mais profundo dos transtornos afetivos e, espera-se, em direção a novos tratamentos. Isso inclui o desenvolvimento e uso de novas estratégias de imagiamento de estruturas e circuitos moleculares em sujeitos humanos tanto in vivo quanto post-mortem e estudos genéticos para identificar e definir as alterações exatas subjacentes à perturbação da neuroplasticidade em sujeitos deprimidos. Os achados demonstrando alterações da neuroplasticidade já apontaram para novos alvos para o desenvolvimento de drogas e futuros estudos continuarão a identificar e refinar a informação para posterior desenvolvimento de intervenções terapêuticas mais efetivas.

Clique aqui para ver a versão completa desse artigo:
http://www.yatros.com.br/artigos/neuroplasticidade.doc

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Comentário de Rubens Mário Mazzini Rodrigues em 20 abril 2013 às 18:10

Recente artigo da Nature Neuroscience confirma o efeito dos ambientes enriquecidos sobre a neuroplasticidade.

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