“El mundo es originariamente un paraíso y el hombre es un ser maravilloso, pero este es un lenguaje olvidado. Es importante comprender que la posibilidad de vivir en el amor existe. Nuestra cultura debe renacer en el Principio Biocéntrico, que plantea una sociológica de la felicidad, una cultura para la vida y no una cultura de la muerte. Debemos aprender a poner “la vida al centro”.


                                                         Rolando Toro Arañeda

 

A primeira ideia que vem à mente coletiva diante de tragédias como essa, resultantes de uma sucessão de erros, omissões e negligências, é: "Quem é ou quem são os culpados?". Começa, então, uma caça as bruxas sobre as quais recairá a vingança da sociedade. No entanto, embora as averiguações criminais sejam necessárias, colocar meia dúzia de bodes expiatórios atrás das grades não irá resgatar as vidas estupidamente ceifadas, nem aliviar o sofrimento das famílias da vítimas, nem prevenir novas ocorrências do mesmo tipo.

Na verdade, a "culpa" ou responsabilidade é de todos nós, não apenas dos gerentes negligentes dos estabelecimentos, dos seguranças incompetentes, dos músicos dementes, das autoridades omissas e outros agentes diretos. Todos temos de fazer uma mea culpa nesse caso, inclusive nós que não cobramos e não exigimos que as autoridades cumpram com o seu dever e ficamos passivos diante da inoperância do poder público, gerenciado pelos políticos que mal e porcamente elegemos. Inclusive nós que não procuramos conhecer os locais onde deixamos nossos filhos para se divertirem e que não nos mobilizamos para protestar e exigir o cuidado que eles merecem. Inclusive nós que não reclamamos e não denunciamos quando somos mal-tratados de qualquer forma. Inclusive nós que aceitamos que políticos condenados por corrupção assumam uma vaga no congresso sem protestar. Inclusive eu que já entrei em um estabelecimento desses para buscar uma filha menor de idade e constatei estarrecido e indignado que lá dentro se vendia álcool e se consumia drogas sem nenhum controle, sem que houvesse condições mínimas de salubridade, a começar por ventilação adequada e sistemas mínimos de segurança e não procurei o Ministério Público para fazer uma denúncia.

Todos nós frequentamos lugares assim na juventude e nos acostumamos a achar isso "normal". Ou seja, a imbecilidade e insensibilidade de nossa cultura de morte nos tornou anestesiados. Esquecemos de colocar a vida no centro e exigir a devida valorização e cuidado com a vida humana e da vida em geral. Apurar responsabilidades e punir eventuais culpados diretos é apenas a ponta do iceberg do que precisa ser feito para que tais acontecimentos não voltem a ocorrer. É preciso que seja revista toda a legislação e todas as práticas envolvendo esses locais de "lazer" para que não apenas os jovens, mas também os adultos e idosos, possam usufruir com segurança seus momentos de folga.

A punição para os julgados responsáveis diretos (desde que de forma culposa e não dolosa) deveria ser através de medida alternativa sócio-educativa, de prestação de serviços (na prevenção de acidentes ou fiscalização de condições de segurança de outros estabelecimento, por exemplo), por tempo proporcional à responsabilidade apurada. O responsáveis diretos, assim terão oportunidade de se redimir perante a sociedade e perante si mesmos, dando uma contribuição efetiva e útil à comunidade, que não poderiam dar estando atrás das grades. Se forem cidadãos normais, que pecaram por negligência, falha humana ou imbecilidade (como lançar um sinalizador em ambiente fechado)  não intencional, o sofrimento que já devem estar sentindo com a culpa já é suficiente como pena retributiva. No entanto, caso hajam crimes dolosos, como o caso da ocultação de câmeras e computadores - como vem sendo apurado pela investigação policial - então sim, o fato se transforma em crime doloso e hediondo, que, aí sim, merece ser punido com pena de prisão.

Os únicos inocentes são as vítimas, que ingenuamente se sentiam seguras achando que nós, os mais velhos e responsáveis, as autoridades, estaríamos zelando e garantindo seu bem estar e segurança. É um milagre ou pura sorte que não ocorram mais incidentes desse tipo. São necessárias medidas drásticas, a começar pelo imediato cancelamento das licenças de funcionamento desses locais até que apresentem provas das condições de funcionamento e que seja feito um censo e inspeção geral em todos eles e exigindo o cumprimento da legislação pertinente já existente, a qual, no entanto, é falha e insuficiente. É preciso que, em futuro próximo, as normas sejam revisadas ou criada uma nova legislação pertinente, mais rigorosa e mais abrangente, capaz de realmente prevenir novas tragédias a exemplo do que aconteceu na Argentina há alguns anos atrás, após a tragédia da boate Cromañon *. Identificar e punir os culpados mais imediatos apenas irá saciar o instinto de vingança instantânea da sociedade para que logo após, tudo caia no esquecimento e nada seja feito de concreto para a prevenção de novas tragédias.  Infelizmente, nossa sociedade está contaminada pela cultura do "jeitinho", do "deixa prá lá" e da "memória curta" e isso precisa começar a mudar na atitude de cada um de nós em relação a isso.

O Bom Exemplo vindo da Argentina:

* Após fato idêntico ocorrido em Buenos Aires, na boate República Cromañon há alguns anos (2004), em que 194 jovens pereceram com o incêndio, os argentinos criaram um monumento onde familiares deixaram muitos tênis, pedaços de roupas e vários outros objetos encontrados nos escombros, lá podemos ver uma enorme galeria de fotos com os rostos dos jovens, que seus pais dispuseram para lembrar ao povo Argentino e pedir que nunca mais aconteça. provocou uma série de mudanças na segurança nas casas noturnas da capital argentina.

Com reação competente e madura da sociedade argentina muitas medidas efetivas foram tomadas. As medidas incluíram mais sinalização interna das discotecas indicando a saída de emergência; menos tolerância no tocante ao limite de público autorizado para cada local e a colocação de cartazes indicando a quantidade permitida de pessoas no recinto. Locais com mais de um andar devem também agora atualizar, regularmente, informações sobre a resistência do prédio, segundo documento da Agência Governamental de Controle publicado (AGC) no site do governo da cidade de Buenos Aires.

As medidas foram definidas após reunião com empresários do ramo, músicos, arquitetos, engenheiros e os grupos que representam os pais das vítimas daquela tragédia na República Cromañón. Cabe à AGC verificar que as normas de segurança estão sendo cumpridas, de acordo com informações oficiais. Internet Além de novas exigências para as casas noturnas, também foram definidas e intensificadas as normas de segurança para bares, teatros independentes, clubes com música ao vivo e salões para tango, por exemplo.

As exigências de segurança deverão ser respeitadas antes da abertura do local e durante seu funcionamento. De acordo com o governo da cidade, os "cidadãos poderão saber o estado de habilitação e funcionamento dos locais na internet". O documento diz que eventos de grande público, como recitais e festas, deverão ter "autorizações especiais".

As novas regras de segurança incluíram decretos, resoluções e leis. Muitos dos debates contaram com a participação dos familiares das vítimas e foram transmitidos ao vivo pelas principais emissoras de televisão do país (Alô! responsáveis pela Rede Globo! APRENDAM!, chega de só explorar a curiosidade mórbida do povo com os Big Brothers e outras baboseiras, inclusive da própria tragédia apenas como espetáculo). A série de medidas tomadas foram batizadas de "Efeito Cromañon". Podemos seguir o bom exemplo do país irmão e promover aqui o "Efeito Kiss".

Rubens Mazzini Rodrigues

Médico Psiquiatra - Porto Alegre

* Conforme postado no Facebook por Liz Germany Fonte: BBC Brasil

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Comentário de Elizabete Fonseca dos S Germany em 2 fevereiro 2013 às 4:32

Querido amigo também eu espero que aqui no Brasil, bem como Mundo afora estas providências sejam tomadas com urgência. Está mais que na hora de entendermos que somos seres humanos e racionais, deixar de lado a mesquinhez e a ganância pelo vil metal e nos conscientizarmos de que não existe bem maior do que a vida, mas uma vida prazerosa com perspectivas de melhoras através da busca incessante do bem comum. ELE disse: "Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei"  O que estamos esperando para por em prática um mandamento tão essencial e que tanto nos alegra o coração, soubéssemos  onde vive a real Felicidade, seríamos ainda mais felizes, ela não pode ser comprada pois em verdade está dentro de cada um de nós.        O dia que sairmos de dentro de nós para expandir o sentimento do amor incondicional, teremos a certeza de ter trabalhado corretamente na seara do Bem. O primeiro passo é por certo o mais difícil mas a continuação desta caminhada nos mostrará que o objetivo não é o pote de ouro, mas a beleza de andar sobre o arco-íris.

Eu tenho fé, tenho esperança e mais que tudo ainda confio no meu semelhante.

Beijos no coração de cada um de vocês.

QUE A PAZ REINE NO MEIO DE NÓS.

Comentário de Rubens Mário Mazzini Rodrigues em 29 janeiro 2013 às 19:41

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