Dilma Roussef era uma menina de classe média. Como tal, deve ter ouvido muitas histórias que povoaram e instigaram sua imaginação juvenil contribuindo para forjar sua visão de mundo. Praticamente não há criança que não tenha se sentido encantada pela história de Hobin Hood, tanto que, além de constar nos livros de história, sobre o qual foram feitos inúmeros filmes, até virou desenho animado e personagem de Walt Disney. 

          Na história Robin Hood, é um mítico e charmoso herói inglês fora-da-lei de saiote verde e arco-e-flexa, que roubava dos ricos para dar aos pobres, no tempo do Rei Ricardo Coração de Leão. Essa é a parte da história que todos conhecem. A parte menos conhecida da história é a de que Robin Hood era, na verdade, um membro da nobreza. Quando o Rei Ricardo partiu para as cruzadas, o príncipe João, o segundo herdeiro direto, assumiu seu trono, aumentou os impostos e matou o pai de Robin, destruindo também seu castelo. Não tendo onde morar, Robin Hood encontra um grupo de homens que moram na floresta e passa a liderá-los em um movimento para destituir o usurpador do poder. A política ditatorial e ávida de impostos do Príncipe João causou grande escassez e miséria na Inglaterra, despertando revolta no povo em geral, inclusive os mais pobres. Apenas estavam satisfeitos os que se beneficiavam da proximidade e amizade do déspota.

          Dilma Roussef começou sua história como Robin Hood, roubando dos ricos para dar aos pobres. Seu ex-marido, Carlos Araújo, conta em um vídeo como os dois "romanticamente" assaltavam caminhões frigoríficos para roubar a carne e distribui-la aos pobres. Ironicamente, Dilma Roussef, em vez de Robin Hood de saias, acabou se tornando para o Brasil em uma nova versão de Príncipe João, uma figura amante da boa vida, que gosta de parar em hotéis de luxo e se deslocar em limosines, arrogante, vocacionada ao autoritarismo, rejeitada pelo povo e ávida por impostos.

          Outra figura que exerceu (e ainda exerce) muito fascínio ao ideário juvenil é Karl Marx, que também se tornou praticamente um mito, o grande filósofo que teria demonstrado como a dita classe burguesa explora os proletários para obter riqueza negando-lhes a parte que lhes cabe. Para mudar isso o camarada Marx, um bom velhinho de barbas brancas, muito parecido com o Papai Noel, idealizou um sistema político-econômico que iria revolucionar o mundo, no qual todas as pessoas seriam iguais e não haveria a exploração do homem pelo homem. Ao ser aplicado na prática o sistema não só foi um estrondoso fracasso no campo econômico, levando os países onde foi aplicado a um estado de miséria e desabastecimento, quanto no político, tornando-se um sistema totalitário onde as liberdades individuais foram abolidas e no qual o ditador tinha total poder sobre a vida e a morte dos cidadãos, milhões foram escravizados, presos e exterminados em campos de concentração. Sob esse regime foram perpetrados os maiores genocídios de que a história humana tem notícia, com mais de 100 milhões de vítimas. De novo, o mocinho acabou se transformando em bandido. Essa história do suposto mocinho que vira bandido se repetiu em várias outras nações em que o comunismo foi implantado, sendo Cuba o exemplo mais típico e a Venezuela o mais recente.

          Muito antes disso tudo, Jesus de Nazaré surgiu como um dos grandes líderes espirituais da humanidade, dando início a um movimento religioso que foi cativando milhões de adeptos ao longo de mais de dois mil anos devido à mensagem de amor ao próximo, perdão e caridade que pregava. Seu sucesso foi tanto que a história humana foi dividida entre antes e depois Dele. A maior de todas religiões nascidas desse movimento religioso acabou se tornando a religião oficial de um dos maiores impérios da história humana, o Império Romano, e desde então tem sido adotada como religião oficial de muitos países, influenciando em grande parte o desenvolvimento da história da civilização ocidental.

          Essa religião, batizada de Católica Apostólica Romana, tem como líder máximo um Sumo Pontífice que popularmente se tornou conhecido como o Papa, o qual seria o representante do próprio Deus na Terra. Passados 2015 anos o último de uma longa dinastia de Papas acabou declarando que a vida de Jesus havia terminado em fracasso e ainda acrescentou "o fracasso da cruz". Coincidentemente, esse último representante dos Papas adota um discurso muito semelhante aos seguidores de Karl Marx, acusando o capitalismo por todos os males da humanidade, confundindo o Reino de Deus, implantado por Jesus, com os Reinos da Terra, afastando-se assim completamente da mensagem original de Jesus, que não previa o controle das pessoas através de qualquer forma de poder que não fosse o amor ao próximo e o desejo de fazer o bem voluntariamente, através de um processo de transformação interior. Com isso, Dilma Roussef e seus amigos ditadores ou candidatos a ditador passaram a idolatrar o Papa como se fosse a própria reencarnação de Karl Marx, quando, esse mesmo Karl Marx, pregava que "a religião é o ópio do povo" e que sua missão última era "derrubar Deus de seu trono". Com o tempo, os seguidores de Karl Marx, ditos marxistas, passaram a considerar que o cristianismo em geral e a Igreja Católica, em especial, eram os grandes obstáculos à disseminação da doutrina de Karl Marx - o comunismo ou socialismo - e passaram a adotar a estratégia do marxismo cultural, elaborada por Antônio Gramsci, que inclui a ideia de destruir a Igreja por dentro, que vem se demonstrando altamente bem sucedida.

          A relação que há entre esses cinco personagens do título é, de fato ou por suposto, a crença ou convicção de que  é possível que a humanidade possa viver com mais justiça social. Para alguns a pobreza e as diferença sociais entre os homens são causadas pelos mais bem sucedidos, os ditos ricos, burgueses, capitalistas, que, na sua concepção simplista e reducionista, formam uma classe exploradora que canaliza para si as riquezas produzidas por todos. Paradoxalmente, os regimes políticos inspirados no marxismo criaram uma nova classe política, formada pelos membros do partido único, o politburo, que leva um estilo de vida igual ou ainda mais privilegiado do que o das demais classes ditas exploradoras. Na Igreja Católica o Papa e sua corte vivem suntuosamente e rodeados de tesouros amealhados ao longo de séculos a partir da exploração dos fieis que nele creem espalhados pelo mundo todo. O próprio Karl Marx não vivia às custas do próprio trabalho, mas às custas da caridade de amigos e dos recursos da esposa, que pertencia a uma rica família burguesa. O grande Karl Marx, que iria resolver os problemas de toda a humanidade, não foi capaz nem de criar a própria família de modo digno. Seu filhos viveram e morreram miseravelmente, vítimas de doenças devidas à negligência e incapacidade do pai em lhes garantir cuidados mínimos de sobrevivência.

          Vamos nos reportar à questão fundamental que move toda essa gente: a ideia de justiça social. A sociedade humana é justa? Não, como qualquer pode perceber sem ser um grande gênio ou guru de multidões. O marxismo-comunismo foi capaz de criar mais justiça social em algum lugar onde foi aplicado? Não, pelo contrário, gerou um nível de injustiça maior do que o jamais visto. Podemos estender um pouco mais essa questão peguntando: o mundo é justo? Existe justiça na natureza? A justiça é um fenômeno ou direito natural? Obviamente a resposta para essas questões também é um rotundo não, pois, que justiça há em um mundo em que os mais fortes sobrevivem e os mais fracos perecem para que haja a evolução das espécies através da seleção natural? A justiça, portanto, não é um conceito retirado da natureza, é um conceito produzido pela consciência humana, uma concepção da mente humana, um ideal criado pelo desejo humano de que não haja diferença entre os membros da sua espécie, que haja condições de vida e direitos iguais para todos. Desde que esse ideal surgiu no seio da espécie humana os homens têm se esforçado para encontrar formas de tornar realidade algo que só existe na sua imaginação.

          Existe uma diferença crucial entre a justiça social do marxismo e a do cristianismo, que é decorrente do pensamento de seus líderes. Para Jesus a justiça social só pode ser alcançada através da transformação interior de cada indivíduo de modo a cultivar o amor ao próximo como valor máximo de sua existência, assim, quanto mais pessoas viverem sob essa lei espiritual, maiores serão as chances de que haja justiça social. Para Karl Marx a justiça social só pode ser alcançada através de uma revolução em que uma classe de seres humanos se volta contra outra com o objetivo de aniquilá-la através da violência, ao final dessa aniquilação, magicamente surgiria a sociedade perfeita, a sociedade comunista, na qual todos seriam iguais.

          Ao longo dos dois mil anos em que a sociedade ocidental vem tentando seguir a fórmula proposta por Jesus, que foi aceita como uma mensagem de salvação, a sociedade não alcançou a perfeição da justiça social, mas teve grandes avanços e desenvolvimentos nesse sentido, avanços que estão longe de se esgotar nas suas possibilidades. Os lugares onde a mensagem de Jesus não é conhecida nem cultivada são onde há hoje os maiores índices de injustiça social. Em apenas um século a difusão e aplicação da mensagem de Karl Marx, na qual o "odiai-vos uns aos outros" substitui o "amai-vos uns aos outros", conseguiu reverter boa parte das conquistas da humanidade nos últimos vinte séculos de cristianismo e jogar o mundo em uma situação de conturbação social nunca vista. Isto posto, fica claro que a afirmação de que "a vida de Jesus terminou em fracasso" é uma espécie de tiro de misericórdia no processo de transformação do ser humano pelo qual um Homem deu a vida há 2015 anos atrás.

          Isso posto, surge mais uma simples pergunta: Como o bem pode ser criado através do mal? Como a justiça pode ser criada pela violência? Fico com a resposta mais inteligente e mais cristã de um outro Papa, João Paulo II, o qual disse que:

        "A violência destrói tudo aquilo que pretende construir".

FELIZ NATAL!

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